Poucos relógios na história carregam um legado tão poderoso quanto o Omega Speedmaster. Conhecido mundialmente como "Moonwatch", este cronógrafo acompanhou os astronautas da NASA em todas as missões tripuladas desde Gemini até Apollo — e, em 20 de julho de 1969, tornou-se o primeiro relógio a pisar na superfície lunar no pulso de Buzz Aldrin.

Mas a história do Speedmaster começa muito antes da corrida espacial. E, em 2026, seu legado continua mais vivo do que nunca.

O Nascimento de um Ícone (1957)

O Speedmaster nasceu em 1957 como parte da trilogia de relógios profissionais da Omega — ao lado do Seamaster 300 (mergulho) e do Railmaster (antimagnético). A referência CK 2915 foi projetada por Claude Baillod como um cronógrafo esportivo destinado a pilotos de automobilismo.

O nome "Speedmaster" vinha da escala taquimétrica no bisel, projetada para calcular velocidade. O calibre 321 — um movimento cronógrafo de coluna que muitos consideram o mais bonito já feito — batia no coração daquele primeiro modelo.

Ninguém imaginava que aquele cronógrafo esportivo, feito para corridas de carro, acabaria voando pelo espaço.

A NASA Entra em Cena (1962-1965)

A relação com a exploração espacial começou de forma quase acidental. Em 1962, o astronauta Wally Schirra usou seu Speedmaster pessoal (ref. CK 2998) na missão Mercury-Atlas 8. Não foi uma escolha oficial da NASA — Schirra simplesmente gostava do relógio.

Mas a agência percebeu que precisava de um cronógrafo oficial para as missões tripuladas. Em 1964, a NASA iniciou um processo rigoroso de testes, convidando diversas marcas a submeterem seus cronógrafos.

Os Testes da NASA

Os critérios eram brutais:

TesteCondição
Temperatura alta71°C por 48 horas
Temperatura baixa-18°C por 4 horas
Choque térmicoAlternância rápida entre extremos
Umidade95% por 240 horas
PressãoVácuo e sobrepressão
VibraçãoMúltiplas frequências por 30 min
ImpactoAceleração de 40G em 11ms
DescompressãoPressão de 10⁻⁶ atm

Das marcas testadas — incluindo Rolex e Longines — apenas o Omega Speedmaster sobreviveu a todos os testes. Em março de 1965, a NASA o certificou oficialmente como "Flight Qualified for all Manned Space Missions".

O Passo na Lua (1969)

Em 20 de julho de 1969, a missão Apollo 11 pousou na Lua. Neil Armstrong deixou seu Speedmaster dentro do módulo lunar (como backup do relógio de bordo), e foi Buzz Aldrin quem desceu com o Speedmaster no pulso — fazendo dele o primeiro relógio na superfície lunar.

A referência usada era o ST 105.012, com o calibre 321. Infelizmente, o relógio de Aldrin foi perdido em trânsito após retornar à Terra e nunca foi recuperado. Seu paradeiro permanece um dos maiores mistérios do mundo dos relógios.

Apollo 13: O Momento que Definiu o Moonwatch

Se a Apollo 11 deu fama ao Speedmaster, foi a Apollo 13 que cimentou sua lenda. Em abril de 1970, quando uma explosão a bordo desativou os sistemas eletrônicos da nave, o cronógrafo do astronauta Jack Swigert foi usado para cronometrar manualmente os 14 segundos exatos de queima do motor que corrigiram a trajetória e trouxeram a tripulação de volta à Terra com segurança.

Após esse episódio, a Omega recebeu o Silver Snoopy Award da NASA — a mais alta distinção que a agência concede a parceiros que contribuem para o sucesso de missões.

A Evolução dos Calibres

O coração do Speedmaster mudou ao longo das décadas:

EraCalibreTipoPeríodo
Original321Coluna, corda manual1957-1968
Clássico861/1861Came, corda manual1968-2021
Moderno3861Came, corda manual, METAS2021-presente
Relançamento321 (Ed. Limitada)Coluna, corda manual2019-presente

O calibre 3861, atual motor do Moonwatch, traz certificação METAS (Master Chronometer) — resistência magnética de 15.000 gauss e precisão de 0/+5 segundos por dia. É uma evolução massiva em relação ao 1861, mantendo a essência de corda manual que os puristas exigem.

Modelos Atuais e Preços no Brasil (2026)

A linha Speedmaster se expandiu significativamente, mas o Moonwatch Professional continua sendo o coração da coleção:

ModeloReferênciaMaterialPreço Brasil
Moonwatch Professional (aço)310.30.42.50.01.001Aço, HesaliteR$ 42.000 - R$ 46.000
Moonwatch Professional (safira)310.30.42.50.01.002Aço, SafiraR$ 48.000 - R$ 52.000
Silver Snoopy Award 50th310.32.42.50.02.001Aço, SafiraR$ 95.000+ (mercado secundário)
Speedmaster '57332.10.41.51.01.001Aço, SafiraR$ 55.000 - R$ 60.000
Moonwatch Calibre 321311.30.40.30.01.001Aço, HesaliteR$ 85.000 - R$ 95.000
MoonSwatch (Swatch x Omega)VáriosBiocerâmicaR$ 1.800 - R$ 2.500

Para quem admira o Speedmaster mas tem orçamento limitado, o MoonSwatch — colaboração com a Swatch — oferece o visual icônico em biocerâmica por uma fração do preço. Não é a mesma experiência, mas é uma homenagem legítima.

Se o Speedmaster está fora do alcance, conheça opções acessíveis no nosso guia de relógios até R$ 2.000 com excelente custo-benefício.

Hesalite vs. Safira: O Debate Eterno

Uma das decisões mais debatidas entre compradores do Moonwatch é a escolha do cristal:

  • Hesalite (acrílico): o material original usado na Lua. Distorce levemente o mostrador, dando aquele visual vintage característico. Risca facilmente, mas pode ser polido com pasta de dente. É o preferido dos puristas.
  • Safira: cristal praticamente inriscável com revestimento antirreflexo interno. Mostra o mostrador com clareza absoluta. A versão com fundos em safira também permite ver o calibre 3861 decorado.

Não existe resposta certa — é questão de filosofia pessoal. O Hesalite é o Moonwatch "real"; a safira é a evolução prática.

O Speedmaster na Cultura Pop

Além da NASA, o Speedmaster apareceu em contextos notáveis:

  • George Clooney, Ryan Gosling e Cindy Crawford: embaixadores da Omega
  • Filme "Primeiro Homem" (2018): o Speedmaster aparece extensivamente na recriação da Apollo 11
  • Colecionismo: referências vintage como a "Ed White" (105.003) alcançam valores de R$ 200.000+ em leilões
  • Comunidade online: o Speedmaster tem um dos fóruns mais ativos do mundo (OmegaForums.net)

Vale a Pena Comprar em 2026?

Absolutamente. O Speedmaster Professional com calibre 3861 é, objetivamente, a melhor versão do Moonwatch já feita. A certificação METAS garante precisão e resistência magnética que os modelos anteriores não tinham, enquanto o design permanece fiel ao original de 1957.

Para conhecer a história completa da relojoaria e como o Speedmaster se encaixa nela, recomendamos nosso artigo sobre a história da relojoaria para iniciantes.

Onde comprar no Brasil com garantia oficial: boutiques Omega (Shopping Iguatemi SP, Village Mall RJ), revendedores autorizados (Dryzun, Sara Joias) e a loja online oficial da Omega com entrega no Brasil.

Perguntas Frequentes

O Speedmaster ainda é usado pela NASA?

Sim. O Omega Speedmaster continua sendo qualificado pela NASA para missões espaciais tripuladas. Embora os astronautas modernos usem também relógios digitais e smartwatches, o Speedmaster permanece como equipamento aprovado e continua voando na Estação Espacial Internacional.

O MoonSwatch é um bom relógio?

O MoonSwatch (Swatch x Omega) é um relógio quartzo de biocerâmica que homenageia o Speedmaster. Pela faixa de R$ 1.800-2.500, oferece design icônico e qualidade Swatch, mas não se compara à experiência mecânica do Speedmaster real. É uma excelente peça casual e de coleção acessível.

Qual a diferença entre Speedmaster e Seamaster?

O Speedmaster é um cronógrafo originalmente projetado para velocidade (automobilismo) que se tornou o relógio espacial da NASA. O Seamaster é a linha de mergulho da Omega, famosa por ser o relógio de James Bond. São linhas completamente diferentes em propósito, design e construção.

O Speedmaster é um bom investimento?

Modelos de produção regular (Moonwatch Professional) mantêm valor razoavelmente bem, mas não são investimentos garantidos. Edições limitadas como o Silver Snoopy Award 50th e referências vintage raras, porém, têm demonstrado valorização consistente. Compre porque ama o relógio, não como especulação financeira.

De quanto em quanto tempo preciso fazer revisão no Speedmaster?

A Omega recomenda revisão completa a cada 5-8 anos para o calibre 3861. O serviço inclui desmontagem, limpeza ultrassônica, lubrificação, ajuste de precisão e teste de estanqueidade. No Brasil, o custo médio de uma revisão autorizada fica entre R$ 2.500 e R$ 4.000.